Aeromoça trabalha em casa?


- Tia, você não trabalha?

Depois de me ver quase que diariamente no playground do prédio onde moro, brincando com minha filha, na época com pouco mesmo de um ano, uma garotinha tomou coragem e me lascou essa pergunta.

- Trabalho, sim.

- Mas você vem aqui sempre, com a Alice.

Devia ser mesmo curioso para uma menina de 5 anos ver tantas crianças, tantas babás, e quase sempre uma única mãe ali, no parquinho do condomínio.

- É que eu trabalho em casa, por isso consigo vir aqui brincar com vocês.

- Nossa, que legal trabalhar em casa! E em que você trabalha? – ela quis saber.

- Sou jornalista – respondi.

- Ah, tá... Sabe o que a minha mãe é? Aeromoça!

Ela então matutou por uns 5 segundos e soltou a pergunta matadora:

- Tia, aeromoça também pode trabalhar em casa?

Confesso que, até ali, eu ainda tinha dúvidas se havia ou não tomado a decisão correta: tirar o pé do acelerador da carreira, trabalhar menos e dedicar mais tempo à minha filha. Pois aquela menininha, com aqueles olhos esperando ouvir um “sim, aeromoça pode trabalhar em casa”, acabara de me dar a resposta.

Quando engravidei da Alice, na verdade eu já tinha tirado um pouco o pé do acelerador. Um ano e meio antes eu havia pedido demissão de um cargo de editora executiva de jornal, um trabalho que não me dava mais prazer e que, para piorar, consumia vários de meus fins de semana em plantões intermináveis. Estava vivendo como freelancer quando engravidei. A parte ruim: não teria licença-maternidade remunerada. A parte boa: passaria a pegar apenas trabalhos que pagassem as contas mais básicas, deixando parte do dia livre para ficar com a pequena.

Foi bom, mas não foi fácil. Perdi a conta de quantas vezes sentava no computador só depois que ela dormia e virava a noite escrevendo matérias (por aqui a criança começou a dormir a noite toda aos 3 meses, mas eu ficava em claro trabalhando). Sempre achei um baita privilégio ter uma profissão que me permitia fazer isso.

Mas, quando Alice começou a ir para a escola, depois de completar 2 anos, a falta de rotina, de um lugar de trabalho para chamar de meu, de trocar experiências e conhecimento com alguém na mesa ao lado, não conseguir planejar minha carreira dali cinco anos, tudo isso passou a pesar. E muito.

Aquela falta de chão e a pilha de questionamentos que muitas mulheres que têm filhos enfrentam no fim da licença-maternidade pintou por aqui mais tarde, mas pintou. Enquanto a maioria se pergunta como ser mãe tendo de retornar ao trabalho, eu me questionava como voltar a ser mais que mãe.

Ainda estou na busca de uma resposta. É um caminho duro que, no meu caso, passa pela decisão de empreender. Duro mas necessário. Duro mas não solitário. Cheia de perguntas na cabeça, cruzei com a Dani Junco e o b2mamy e mergulhei em um intensivo de empreendedorismo em um b2mamy Start. Mais do que mentoria, encontrei compreensão, empatia, troquei experiências com mulheres que buscam as respostas que eu também busco. Entendi que muitas das perguntas não devem ser feitas para os outros, mas para nós mesmas. E me dei conta de que, depois de ter filhos, a gente já não se contenta mais com qualquer resposta. A gente quer A RESPOSTA.

Esse texto emocionante foi um presente da B2Mana:

Ana Paula Alfano

Jornalista, já passou pelas redações de várias revistas e foi editora executiva de jornal. Hoje não está em nenhuma redação mas segue apaixonada pela coisa que acha mais bacana no jornalismo: contar histórias.

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