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MASCULINIDADE FRÁGIL?!

Atualizado: 30 de mar. de 2023

[Nota: contém trechos de ironia (e não leve nada pro pessoal hein!? mentes abertas fluem possibilidades!)]

Quem nunca foi incomodada com um queridão falando alto no telefone (falando é modéstia, berrando mesmo, com aquela voz bem “engrossada” pra ressaltar o quão importante ou imponente ele é!)!?


Dá um nervoso! Você se concentra, pega seu café, prepara e organiza sua mesa… ah! que delicinha, bora começar mais um dia de trabalho (seja em casa, no seu home office, ou no escritório, pra quem já voltou, como eu rs) – e então, quando você começa o raciocínio, vem aquele ‘berro másculo’ no telefone, que entra com uma potência no seu ouvido e pronto, já era… a planilha que ia começar, o raciocínio e a serenidade foram embora rs.


Gente, acho que já deu né?! Estamos em 2021.. quase 22… Bora rever esses padrões?!

Desde que me conheço por gente, no ambiente corporativo, é sempre isso, machismo escancarado, o simples fato de ser uma mulher na reunião, na apresentação, ou no telefone, já dá “brecha” pro cara do outro lado achar que sabe mais, que pode mais, que a opinião final vai ser sempre a dele.


Confesso que, eu inocente, ou blindada na verdade nos últimos anos, achava que não era mais assim, na verdade já não sentia mais isso – graças à pandemia, ao home office e à startup que trabalhei (que era conduzida por uma mulher, uma CEO incrível) – mas aí, voltando pra outra realidade rs, ao mercado imobiliário que tô hoje, e retomando à rotina do escritório, somado às conversas recentes que tive com diferentes grupos de amigas, pude notar o quão ainda tá impregnado na sociedade, no mundo corporativo, esse machismo estrutural, ultrapassado. Muitas vezes, gritante como a simples ligação do seu lado, e outras de forma sutil, que a gente mesmo acaba nem se dando conta – aquela reunião que você sempre tenta argumentar, mas que depois de tanto tentar expressar uma opinião frustrada, já não faz mais questão, então liga o botão do “prefiro ser feliz do que ter razão”, e aí entra num modo automático de blindagem (que às vezes é até necessário, pra poupar nossa saúde mental).


Eu cansei. De verdade.

.

.

.

(suspiro…rs)


Mas pude resgatar forças. Refleti muito nos últimos dias de confinamento (sim, peguei covid pela 2a vez! E então foi uma jornada intensa novamente, de olhar pra dentro) – pude entender pequenos acontecimentos diários que vão me desgastando, e tirando as energias, as ideias, a parte criativa que é minha maior fonte de vida!


Por que achar que o falar grosso, o “brigar”, resolvem as coisas?

Por que não fazer o contrário – mostrar sua vulnerabilidade é lindo! – ninguém é perfeito! Colaboradores, parceiros, empresas, tudo isso é composto pelo maior bem comum – SERES HUMANOS! E quando esses seres humanos são levados à pressão, podem até entregar ali momentaneamente a tão sonhada meta que o mundo corporativo busca, mas com o passar do tempo, meu irmão, isso vai explodir! Uma hora a conta chega! O corpo reage. É uma gripe, uma crise, um infarto. Ou mesmo a não entrega… Ou mesmo a falha na comunicação, a equipe que não engaja e não consegue entrar na mesma sintonia – ou o casal, no sufoco do home office, afundado e perdido nesse aperto.


Até quando as empresas/pessoas/o mundo vai achar que na pressão é melhor?


Que o homem precisa ser essa máquina?


A pandemia veio pra tirar a gente desse modo insano automático. Se você não aprendeu nada com isso, de coração, eu sinto muito!


Tiago Iorc ‘bugou’ há um tempo atrás, se afastou da fama, de tudo e de todos, bem antes da pandemia, e voltou com uma música PHODA, incrível, que traduz muito tudo isso que eu senti. Finalizo esse texto/desabafo com a letra e o link do vídeo, pra você curtir/refletir.


(Obrigada por expressar tanto com sua arte, Tiago!)


Eu tava numa de ficar sumido

Dinheiro, fama, tudo resolvido

Fingi que não, mas, na verdade, eu ligo

Eu me achava mó legal

Queria ser uma unanimidade

Eu quis provar a minha virilidade

Eu duvidei da minha validade

Na insanidade virtual

Eu cuido pra não ser muito sensível

Homem não chora, homem isso e aquilo

Aprendi a ser indestrutível

Eu não sou real

Conversando com os meus amigos

Eu entendi que não é só comigo

Calar fragilidade é castigo

Eu sou real

Cuida, meu irmão

Do teu emocional

Cuida do que é real

Cuida, meu irmão

Do teu emocional

Cuida do que é real

Masculinidade frágil, coisa de menino

Eu fui profano e sexo é divino

Da minha intimidade, fui um assassino

Que merda!

Quando criança, era chamado de bicha

Como se fosse um xingamento

Que coisa mais esquisita

Aprendi que era errado ser sensível

Quanta inocência

Eu tive medo do meu feminino

Eu me tornei um homem reprimido

Meio sem alma, meio adormecido

Um ato fálico, autodestrutivo

No auge e me sentindo deprimido

Me vi traindo por ter me traído

Eu fui covarde, eu fui abusivo

Pensei ser forte, mas eu só fugi

E caí na pornografia

Essa porra só vicia

Te suga a alma, te esvazia

E quando vê passou o dia

E você pensa que devia

Ter outro corpo, outra pica

A ansiedade vem e fica

Caralho, isso não é vida!

Cuida, meu irmão

Do teu emocional

Cuida do que é real

Cuida, meu irmão

Do teu emocional

Cuida do que é real

Meu pai foi minha referência de homem forte

Trabalhador, generoso, decidido

Mas ele sempre teve dificuldade de falar

O pai do meu pai também não soube se expressar

Por esses homens é preciso chorar

E perdoar

Essa dor guardada

Até agora, enquanto escrevo

Me assombra se o que eu digo é o que eu devo

Um eco de medo

O que será que vão dizer?

O que será que vão pensar?

A rejeição ensina cedo

Seja bem bonzinho ou então vão te cancelar

Que complexo é esse?

Mamãe, é você?

Me iludi nessa imagem, tentei me esconder

Eu só posso ser esse Tiago

Cheio de virtude, cheio de estrago

Que afago crescer, aceitar

Ai, ai

Esse homem macho, machucado

Esse homem violento, homem violado

Homem sem amor, homem mal amado

Precisamos nos responsabilizar, meus amigos

A gente cria um mundo extremo e opressivo

Diz aí, se não estamos todos loucos

Por um abraço

Que cansaço!

Cuidado com o excesso de orgulho

Cuidado com o complexo de superioridade, mas

Cuidado com desculpa pra tudo

Cuidado com viver na eterna infantilidade

Cuidado com padrões radicais

Cuidado com absurdos normais

Cuidado com olhar só pro céu

E fechar o olho pro inferno que a gente mesmo é capaz

Cuida, meu irmão

Do teu emocional

Cuida do que é real

Cuida, meu irmão

Do teu emocional

Cuida do que é real

Minha alma é profunda e se afoga no raso

Minha alma é profunda e se afoga no raso

Minha alma é profunda e se afoga no raso

Eu fico zonzo, fico triste

Fico pouco, fico escroto

Eu sigo à risca o que é ser homem

Isso não existe, a vida insiste

O tempo todo que eu repense

O que é ser homem?

Há tantos e tantos

E tantos e tantos e tantos

Possíveis homens

(Homem real e não ideal)

Ser homem por querer se aprender, todo dia

Dominar a si mesmo

Apesar de qualquer fobia: Respeito

Tem que ter peito

Tem que ter culhão pra amar direito

Vou dizer que não?

Esperando sentado por salvação?

Conexão, empatia, verdade

Divino propósito: Responsabilidade

Deitar a cabeça no travesseiro e sentir paz

Por ter vivido um dia honesto

Ah!

Ser homem exige muito mais do que coragem

Muito mais do que masculinidade

Ser homem exige escolha, meu irmão

E aí?


Texto escrito por Karol Martins em 2021.


Karol Martins é B2Mamy Lover e conteudista da B2Mamy; Fundadora da Feira Criativa Mente, bacharel em Marketing, especialista em Comunicação com mais de 15 anos de experiência no mercado corporativo, atuando com planejamento estratégico e eventos de grande porte. Pós-graduada em Gestão de Negócios com ênfase em marketing pela ESPM, é também coautora do livro Uma Viagem para Empreender 2.




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