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O orgânico que ficou indigesto: o que a crise do Sri Lanka tem a ver com liderança?

Atualizado: 30 de mar. de 2023

Disclaimer: eu não sou especialista em política nem em agronomia e esse artigo tem a intenção de discutir liderança e não política. As referências que utilizei estão no final do texto. Juliana Glezer.

No começo da semana ouvi, de uma mulher que admiro, a seguinte declaração: “neutro só shampoo de bebê" e isso me incentivou a ser mais vocal com minhas opiniões, mesmo que não sejam populares. Ai ontem estava observando uma discussão sobre a situação dos orgânicos no Sri Lanka e fiquei muito intrigada.


O que está acontecendo no Sri Lanka?

No ano passado, o presidente do país proibiu o uso de insumos químicos para os agricultores locais na tentativa de se tornar o primeiro país com agricultura 100% orgânica.


Superficialmente, a mudança parece ser um exemplo de liderança visionária. Pouco mais de um ano depois, está sendo declarado um experimento fracassado. A iniciativa resultou em rendimentos agrícolas mais baixos, esterilização das terras e protestos generalizados dos agricultores.

Por que deu errado?

Li alguns especialistas políticos que avaliaram o caso como tristemente "recorrente no caos político". Eles declaram que "começa com um político inseguro que almeja deixar sua marca no mundo fazendo algo ousado. Facilmente manipulado por seus conselheiros, ele toma medidas unilaterais sem realmente entender nenhuma das implicações ou falar com especialistas no tema".


Realizar uma ação coerente no sistema alimentar é um problema complexo, e como tal, é impossível ter um resultado transformador e positivo sem entender a natureza sistêmica dos elementos que compõe esse problema.


Quando o presidente foi avisado das primeira consequências negativas de seu projeto, ele dobra o tamanho da sua aposta inicial porque seu ego o impede de mudar de rumo ou admitir que estava errado.


Eventualmente, quando a catástrofe se torna muito grande, ele se demite e foge para as Maldivas, a atualização tragicômica da semana.


Seu próximo passo nesta história, baseado em exemplos passados, provavelmente será não assumir responsabilidades e tentar culpar outra pessoa por todo o desastre.


Esse relato soa familiar com o mundo corporativo?

O que podemos aprender sobre liderança com essa história?

- Pensamento sistêmico

O mundo que nos rodeia é muitas vezes contraintuitivo, ou seja, uma ação com objetivo de obter impacto positivo pode gerar um impacto diametralmente oposto. Isso acontece porque é necessário ter uma visão mais ampla da cadeia de valor incluindo os seus elos mais fracos, como no exemplo do Sri Lanka, os agricultores. Ainda nesse caso, por se tratar de uma mudança no sistema agroalimentar do país, uma evolução seria mais prudente do que uma revolução, ou seja, a estratégia adequada poderia ter sido uma transição controlada.


No mundo dos negócios poderíamos estar falando de um MVP (mínimo produto viável) com um roadmap (plano de escala) sequencial e estruturado. Ou seja, uma solução poderia ter sido fazer um recorte para executar um teste em menor escala, ao invés de mudar o sistema agroalimentar do país todo de uma só vez.

- Humildade e pivotar rápido

Ao perceber seu erro, o líder de estado optou por dobrar a aposta. No mundo dos negócios muitas vezes ficamos míopes em função da manutenção do nosso status quo. Aqui é importante mudar o modelo mental para aprender rápido e mudar a direção quando um teste dá errado.

- Incentivos corretos

Assim como no caso dos agricultores do Sri Lanka, quando precisamos ativar uma rede de pessoas é sempre importante ter os incentivos corretos na cadeia de valor para mobilizá-las à ação. E na liderança corporativa temos que praticar isso diariamente, afinal, grande parte das vezes trabalhamos em rede.


E vocês? Quais reflexões tiveram com o caso do Sri Lanka? Ficarei feliz em saber!


Texto produzido por Juliana Glezer Growth and Innovation at Accenture

"Sou apaixonada por alimentar a inovação, minha formação é em engenheira de alimentos, gastronomia e negócios. Trabalho com 12 anos promovendo a inovação, passando pelo universo acadêmico, de pesquisa, indústria e consultoria. Conheci a B2Mamy nessa jornada, uma vez que a empresa é referência no ecossistema de inovação. Me candidatei a mentora recentemente e por isso me tornei uma Lover. Hoje lidero inovação na Accenture e sou professora de inovação."


Referências:

- Aula professor Vinícius Picanço no Insper

- Newsletter Rohit Bhargava




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