Como NÃO contar o divórcio para os filhos (e proteger a relação com eles)

Jan 15 / Sônia Portes

Em 2023, o Brasil registrou 440,8 mil divórcios, um aumento de 4,9% em relação a 2022, segundo dados do IBGE – Estatísticas do Registro Civil Essa realidade coloca muitos pais e mães diante de um desafio delicado: como contar o divórcio para os filhos de forma que proteja o vínculo afetivo e minimize o sofrimento emocional?

Neste texto, você encontrará os erros mais comuns durante esse momento sensível e compreenderá os impactos que esses equívocos podem causar nas crianças. Essas orientações são profundas e valiosas, pois ajudam a evitar prejuízos na relação dos pais e filhos no divórcio. 


Quem deve contar o divórcio para os filhos?

O ideal é que os dois pais estejam presentes, conversando de forma conjunta e harmônica. Um discurso alinhado à capacidade de compreensão da criança é fundamental para promover segurança e confiança.

Erro comum

Quando apenas um dos pais comunica a decisão — muitas vezes porque o outro prefere não se envolver — surgem ruídos que podem comprometer a percepção da criança sobre a verdade. O filho pode pensar:

“Isso foi o que a sua mãe falou, mas pode não ser verdade.”


“Ela quis se separar e por isso nos magoou. Será que ela pensou em mim?”


Isso tende a gerar raiva, mágoas, respostas atravessadas e uma sensação de abandono. O divórcio já traz estresse por si só (finais de semana alternados, lições feitas em casas diferentes, rotina instável), e sem clareza, a criança pode buscar um “culpado” na situação e consequentemente se afastar daquele que deu a notícia do divórcio. 


O que falar nesse momento?

É comum ouvir: “Devo contar a verdade? O pai me traiu; meu filho precisa saber.” A resposta: essa não é uma conversa para a criança. Assuntos conjugais devem ser resolvidos entre os adultos.

Por que expor a verdade pode ser prejudicial?

Quando a criança sabe de traições ou conflitos profundos, pode sentir:

Dor, decepção, tristeza, raiva — e, principalmente, desconfiança em relação aos pais.


A figura paternal, por exemplo, pode perder autoridade e respeito, deixando de ser vista como referência moral.


O impacto maior é emocional: sem uma base sólida, a criança pode seguir seu caminho com insegurança e solidão.


O que os filhos realmente precisam saber?

Eles não precisam saber os motivos do divórcio — mas sim receber segurança emocional. É essencial que compreendam que:

Eles não têm culpa pela separação.


Continuam sendo amados por ambos os pais.


A rotina vai mudar, mas a presença dos pais permanece.


Com esse cuidado, é possível minimizar os efeitos emocionais e ajudar os filhos a crescerem com mais equilíbrio e menos dor.


3 cuidados essenciais na hora de contar o divórcio para os filhos

Conversem juntos — pai e mãe devem estar presentes e alinhados no discurso.


Protejam a criança dos detalhes do casal — evitem expor traições, mágoas ou conflitos profundos.


Reafirmem a segurança emocional — deixem claro que o amor dos pais continua, que ela não tem culpa e que ambos continuarão presentes.


O divórcio é um momento de transição que exige atenção e delicadeza. A forma de comunicar essa mudança pode ser decisiva para a construção de uma relação familiar mais saudável daqui para frente.


Artigo produzido por:

Sônia Portes

Psicóloga e idealizadora da Jornada da Mãe Solo. Acompanha mães no divórcio a reencontrarem sua força, resgatarem a autoconfiança e construírem uma vida mais leve para si e para os filhos. Oferece livros, cursos, atendimentos e uma comunidade que acolhe e transforma. Mãe feliz = filho feliz. Sua missão é permitir que filhos no divórcio tenham esperança no amor. 

Os textos apresentados no "Blog B2Mamy" são de autoria da Comunidade. Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial e/ou a opinião da B2Mamy.

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