Como você quer ser lembrada pelos seus filhos?

E, mais ainda: como você espera ser lembrada por eles?
Que memória você deseja que seus filhos carreguem de você quando forem adultos — tão adultos quanto nós somos agora?
Outro dia, eu estava saindo para jantar com meu marido. O Gael, meu filho de 6 anos, ia ficar na casa de uma amiga. Na hora da despedida, ele soltou: “Vão tomar uma cervejinha, né?”. Eu ri. Mas a frase ficou ecoando.
Como será que nossos filhos vão lembrar da gente quando forem grandes? Que imagem eles vão guardar da nossa maternidade? O que será que vão falar de nós na terapia? (Porque sim, gente… eles vão falar da gente na terapia.)
Lembrei da minha mãe. Ela era alegre. Se divertia, saía com as amigas, viajava, dava altas gargalhadas, era estabanada (ah, a genética!). Ela ria de si mesma. Essa é a memória mais viva que eu tenho dela.
Minha mãe trabalhou muito. E, proporcionalmente, se divertiu muito também. Igualzinho à minha avó. Mães solo, sobrecarregadas, pouco reconhecidas — mas fiéis às suas felicidades.
Me recordo com nitidez de quando eu tinha uns sete anos. Era carnaval. Minha mãe e minhas tias colocaram abadá, maquiagem, brilho e saíram animadas, mesmo com a nossa choradeira infantil de ciúmes e protesto.
Pouco tempo depois, estávamos assistindo à TV e… Lá estava ela. Minha mãe. Ao vivo. Dançando “Cara-caramba-cara-caraô” atrás do trio elétrico do Chiclete com Banana. Em rede nacional. Na hora, eu senti ciúmes. Vergonha. Reprovação.
Na minha cabeça de filha criada dentro de uma cultura patriarcal, não cabia a ideia de uma mãe se divertindo tanto assim. Como assim mães no carnaval? Como assim mães virando notícia? Como assim minha mãe feliz demais?
Por muito tempo, carreguei julgamentos sobre essa cena. Mas sabe de uma coisa? Hoje, quando me perguntam como eu lido com a culpa materna…É essa cena que me vem: A minha mãe, dançando no meio da multidão. Livre.
Porque culpa materna é ferramenta de controle. Uma violência sutil. Silenciosa. Um sistema inteiro que nos adoece e nos ensina a acreditar que felicidade é egoísmo — e que a dor é parte obrigatória do nosso currículo de mãe. A culpa nos aprisiona numa lógica binária: ou você é uma boa mãe ou é uma mulher feliz. Ou cuida, ou vive. Ou entrega tudo, ou é julgada.
Mas deixa eu te contar uma coisa importante: A gente não constrói um mundo melhor para os nossos filhos se continuarmos adoecendo nele.
Por isso, te convido a imaginar uma maternidade menos solitária. Menos totalitária. Mais ampla. Mais humana.
Onde seja possível ser isso & aquilo:
Mãe & Mulher
Parquinho & Barzinho
Mundo Bita & Samba de Roda
Ternura & Tesão
Porque nenhuma mulher é toda-mãe. Eu não sou. Você também não é. Mães são humanas. E, justamente por isso… Merecem viver.
Então, mãe, aceita sua condição. Se acolha. Se abrace. Não permita que a sua vida vire uma gincana infinita de cuidar de criança, pagar boleto e tentar emagrecer.
Sim, seus filhos vão ter lembranças de você. E nem todas vão ser perfeitas. E tudo bem.
Mas que, no meio dessas memórias, eles também consigam se lembrar de você rindo. Cantando. Dançando. Se permitindo.
Eles não vão lembrar se a casa estava impecável. Mas vão lembrar se a tristeza foi a trilha sonora da infância deles.
E se hoje tudo parece pesado demais… Que este texto não seja mais uma cobrança. Que ele seja só um lembrete: você tem o direito de ser feliz. Mesmo dentro da maternidade. Sobretudo dentro da maternidade!
E você? Me conta:que lembrança quer deixar para eles?

Artigo produzido por:
Nicole Amorim
Os textos apresentados no "Blog B2Mamy" são de autoria da Comunidade. Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial e/ou a opinião da B2Mamy.

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